Radiografia de tórax em decúbito lateral: técnica e indicações

Usada para detectar pequenas quantidades de líquido ou ar livre na cavidade pleural, essa incidência exige feixe horizontal e um tempo de espera antes da exposição. Entenda como funciona.

Atualizado em por Equipe Guia do Raio-X | 6 min de leitura

Este artigo faz parte do Guia completo das incidências radiográficas de tórax.

Neste artigo
  1. O que é a incidência em decúbito lateral?
  2. Como posicionar o paciente?
  3. Raio central e feixe horizontal
  4. Quais são os fatores técnicos?
  5. Quais são os critérios de avaliação da imagem?
  6. Perguntas frequentes
  7. Referências

Ficha técnica: Radiografia de tórax em decúbito lateral

Paciente
Deitado em decúbito lateral, apoiado sobre o lado de interesse clínico — derrame pleural: lado suspeito para baixo; pneumotórax: lado suspeito para cima. Braços elevados acima da cabeça, sem rotação do tórax.
Receptor
35×43 cm, na horizontal.
Raio central
Horizontal, perpendicular ao receptor, na altura de T7 — cerca de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal.
Distância foco-filme
180 cm, com uso de grade.

Observação: kVp: 110–125.

O que é a incidência em decúbito lateral?

Para que serve. A incidência em decúbito lateral (AP com o paciente deitado de lado) é usada principalmente para confirmar a presença de pequenas quantidades de líquido pleural (derrame) ou de ar livre (pneumotórax) que podem não aparecer em uma PA ou AP convencional.1

Por que funciona. Com o paciente deitado de lado e o feixe de raios X na horizontal, a gravidade faz o líquido se acumular na parte mais baixa do tórax e o ar livre subir para a parte mais alta — tornando visíveis pequenas coleções que passariam despercebidas numa radiografia em pé.1

Como posicionar o paciente?

Deitado de lado. O paciente é posicionado em decúbito lateral sobre uma superfície radiotransparente, apoiado sobre o lado de interesse clínico — o lado suspeito de derrame costuma ser posicionado para baixo, e o lado suspeito de pneumotórax, para cima, conforme a orientação médica.1

Apoio e segurança. Uma prancha cardíaca (cardiac board) apoia o paciente sobre o carrinho ou uma superfície radiotransparente. O queixo fica estendido, um travesseiro apoia a cabeça, os joelhos ficam levemente fletidos e as costas do paciente devem estar firmemente encostadas no receptor. O carrinho é travado para evitar que o paciente escorregue ou caia durante o exame.1

Elevação e tempo de espera. O tórax é apoiado sobre uma prancha ou apoio radiotransparente, ajustado em altura para centralizar o tórax ao receptor. Antes da exposição, é boa prática aguardar alguns minutos na posição, dando tempo para o líquido ou o ar se redistribuírem por gravidade.1

Braços. Os braços são elevados acima da cabeça, afastados dos campos pulmonares, e o corpo é alinhado sem rotação, com os ombros e quadris sobrepostos no mesmo plano vertical.1

Raio central e feixe horizontal

Feixe horizontal. O uso do feixe estritamente horizontal é o elemento essencial dessa incidência — é ele que permite que os níveis hidroaéreos apareçam corretamente na imagem, diferenciando-a de uma simples radiografia deitada com feixe vertical.1

Centralização. O raio central é perpendicular ao receptor, dirigido ao centro do receptor na altura de T7 — cerca de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal —, garantindo que ambos os campos pulmonares fiquem incluídos.1

Quais são os fatores técnicos?

Distância e grade. A distância foco-filme recomendada é de 180 cm, com uso de grade e kVp entre 110 e 125, os mesmos parâmetros das demais incidências de tórax.1

Colimação e respiração. O campo é colimado às bordas dos pulmões, incluindo ambos os lados do tórax. A exposição é feita ao final da segunda inspiração profunda, com o paciente já posicionado há alguns minutos.1

Quais são os critérios de avaliação da imagem?

Ambos os campos incluídos. Os dois campos pulmonares — o de baixo e o de cima — devem estar totalmente incluídos na imagem, sem corte nas bordas laterais.1

Sem rotação. A distância entre a coluna vertebral e a superfície lateral das costelas deve ser igual dos dois lados, e as articulações esternoclaviculares devem estar equidistantes da coluna. Os braços não devem se sobrepor aos campos pulmonares superiores.1

Nível hidroaéreo visível. Quando presente, o líquido pleural deve aparecer como uma faixa de densidade uniforme na parte mais baixa do tórax, e o ar livre como uma área radiotransparente na parte mais alta — sinal de que o tempo de espera e o feixe horizontal foram usados corretamente.1

Exposição. Sem borramento por movimento; os contornos do diafragma, das costelas e do coração, além das marcações pulmonares, devem aparecer nítidos. Exposição e contraste adequados permitem visualizar de forma tênue as vértebras e as costelas através da sombra cardíaca.1

Perguntas frequentes

Para que serve a radiografia de tórax em decúbito lateral?

Para detectar pequenas quantidades de líquido pleural (derrame) ou ar livre (pneumotórax) que podem não aparecer numa radiografia PA ou AP convencional.1

Por que é preciso esperar antes de fazer a radiografia?

Porque o líquido ou o ar livre levam alguns minutos para se redistribuir por gravidade depois que o paciente muda de posição, antes que a imagem reflita corretamente a nova posição do conteúdo pleural.1

Por que o feixe precisa ser horizontal nessa incidência?

Porque só um feixe estritamente horizontal permite visualizar corretamente os níveis hidroaéreos formados pelo líquido ou ar livre dentro da cavidade pleural.1

Referências

  1. Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Textbook of Radiographic Positioning and Related Anatomy. 10ª ed. St. Louis: Elsevier; 2021. Cap. 2, Tórax, p. 95.

Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.

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