Radiografia de tórax em decúbito lateral: técnica e indicações
Usada para detectar pequenas quantidades de líquido ou ar livre na cavidade pleural, essa incidência exige feixe horizontal e um tempo de espera antes da exposição. Entenda como funciona.
Este artigo faz parte do Guia completo das incidências radiográficas de tórax.
Neste artigo
Ficha técnica: Radiografia de tórax em decúbito lateral
- Paciente
- Deitado em decúbito lateral, apoiado sobre o lado de interesse clínico — derrame pleural: lado suspeito para baixo; pneumotórax: lado suspeito para cima. Braços elevados acima da cabeça, sem rotação do tórax.
- Receptor
- 35×43 cm, na horizontal.
- Raio central
- Horizontal, perpendicular ao receptor, na altura de T7 — cerca de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal.
- Distância foco-filme
- 180 cm, com uso de grade.
Observação: kVp: 110–125.
O que é a incidência em decúbito lateral?
Para que serve. A incidência em decúbito lateral (AP com o paciente deitado de lado) é usada principalmente para confirmar a presença de pequenas quantidades de líquido pleural (derrame) ou de ar livre (pneumotórax) que podem não aparecer em uma PA ou AP convencional.1
Por que funciona. Com o paciente deitado de lado e o feixe de raios X na horizontal, a gravidade faz o líquido se acumular na parte mais baixa do tórax e o ar livre subir para a parte mais alta — tornando visíveis pequenas coleções que passariam despercebidas numa radiografia em pé.1
Como posicionar o paciente?
Deitado de lado. O paciente é posicionado em decúbito lateral sobre uma superfície radiotransparente, apoiado sobre o lado de interesse clínico — o lado suspeito de derrame costuma ser posicionado para baixo, e o lado suspeito de pneumotórax, para cima, conforme a orientação médica.1
Apoio e segurança. Uma prancha cardíaca (cardiac board) apoia o paciente sobre o carrinho ou uma superfície radiotransparente. O queixo fica estendido, um travesseiro apoia a cabeça, os joelhos ficam levemente fletidos e as costas do paciente devem estar firmemente encostadas no receptor. O carrinho é travado para evitar que o paciente escorregue ou caia durante o exame.1
Elevação e tempo de espera. O tórax é apoiado sobre uma prancha ou apoio radiotransparente, ajustado em altura para centralizar o tórax ao receptor. Antes da exposição, é boa prática aguardar alguns minutos na posição, dando tempo para o líquido ou o ar se redistribuírem por gravidade.1
Braços. Os braços são elevados acima da cabeça, afastados dos campos pulmonares, e o corpo é alinhado sem rotação, com os ombros e quadris sobrepostos no mesmo plano vertical.1
Raio central e feixe horizontal
Feixe horizontal. O uso do feixe estritamente horizontal é o elemento essencial dessa incidência — é ele que permite que os níveis hidroaéreos apareçam corretamente na imagem, diferenciando-a de uma simples radiografia deitada com feixe vertical.1
Centralização. O raio central é perpendicular ao receptor, dirigido ao centro do receptor na altura de T7 — cerca de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal —, garantindo que ambos os campos pulmonares fiquem incluídos.1
Quais são os fatores técnicos?
Distância e grade. A distância foco-filme recomendada é de 180 cm, com uso de grade e kVp entre 110 e 125, os mesmos parâmetros das demais incidências de tórax.1
Colimação e respiração. O campo é colimado às bordas dos pulmões, incluindo ambos os lados do tórax. A exposição é feita ao final da segunda inspiração profunda, com o paciente já posicionado há alguns minutos.1
Quais são os critérios de avaliação da imagem?
Ambos os campos incluídos. Os dois campos pulmonares — o de baixo e o de cima — devem estar totalmente incluídos na imagem, sem corte nas bordas laterais.1
Sem rotação. A distância entre a coluna vertebral e a superfície lateral das costelas deve ser igual dos dois lados, e as articulações esternoclaviculares devem estar equidistantes da coluna. Os braços não devem se sobrepor aos campos pulmonares superiores.1
Nível hidroaéreo visível. Quando presente, o líquido pleural deve aparecer como uma faixa de densidade uniforme na parte mais baixa do tórax, e o ar livre como uma área radiotransparente na parte mais alta — sinal de que o tempo de espera e o feixe horizontal foram usados corretamente.1
Exposição. Sem borramento por movimento; os contornos do diafragma, das costelas e do coração, além das marcações pulmonares, devem aparecer nítidos. Exposição e contraste adequados permitem visualizar de forma tênue as vértebras e as costelas através da sombra cardíaca.1
Perguntas frequentes
Para que serve a radiografia de tórax em decúbito lateral?
Para detectar pequenas quantidades de líquido pleural (derrame) ou ar livre (pneumotórax) que podem não aparecer numa radiografia PA ou AP convencional.1
Por que é preciso esperar antes de fazer a radiografia?
Porque o líquido ou o ar livre levam alguns minutos para se redistribuir por gravidade depois que o paciente muda de posição, antes que a imagem reflita corretamente a nova posição do conteúdo pleural.1
Por que o feixe precisa ser horizontal nessa incidência?
Porque só um feixe estritamente horizontal permite visualizar corretamente os níveis hidroaéreos formados pelo líquido ou ar livre dentro da cavidade pleural.1
Referências
- Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Textbook of Radiographic Positioning and Related Anatomy. 10ª ed. St. Louis: Elsevier; 2021. Cap. 2, Tórax, p. 95.
Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.