Resumo rápido
PacienteDeitado (supino) ou semi-ereto na maca/leito, com os ombros rodados para frente e os braços em rotação medial, para afastar as escápulas dos campos pulmonares.
Raio CentralAngulado cerca de 5° no sentido caudal, perpendicular ao longo eixo do esterno, incidindo na altura de T7 — de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal.
Distância Foco-Filme180 cm no mínimo, quando semi-ereto e a estrutura do leito permitir.
Receptor35×43 cm, na vertical — ou na horizontal em pacientes grandes ou de tórax largo, para evitar corte lateral da imagem.

Este guia faz parte da Rotina de Tórax e do Guia Completo das Incidências de Tórax.

Distância Foco-Filme
180 cm mín. (semi-ereto)
Receptor
35×43 cm
kVp
110–125
Raio Central
±5° caudal
Nível de T7

01O Que É a Radiografia de Tórax AP


Quando é feitaAo contrário da radiografia PA de tórax, feita com o paciente em pé e de frente para o receptor, a radiografia de tórax AP (anteroposterior) é usada quando o paciente não consegue ficar em pé nem colaborar com a posição PA. O exame é feito com o paciente deitado (supino) ou semi-ereto, no próprio leito, na UTI, no pronto-socorro ou no centro cirúrgico, com aparelho portátil.1

O que revelaAssim como a PA, a incidência AP demonstra alterações nos pulmões, no diafragma e no mediastino. Mas identificar níveis hidroaéreos — como em um derrame pleural — exige uma posição totalmente ereta com o raio central horizontal, como na PA ou na incidência em decúbito lateral; sem essas condições, esse achado pode passar despercebido.1

02Posicionamento Supino ou Semi-ereto


Base do posicionamentoO paciente permanece deitado na maca ou no leito. Sempre que as condições clínicas permitem, a cabeceira é elevada para uma posição semi-ereta, o que aproxima o resultado da imagem em pé e reduz parte da magnificação cardíaca característica da AP.1

OmbrosOs ombros são rodados para frente, girando os braços para dentro (rotação medial ou interna), de forma parecida com o que se faz na PA — o objetivo é afastar as escápulas dos campos pulmonares.1

Registro da técnicaComo a posição semi-ereta e a supina produzem imagens diferentes, é importante marcar no receptor ou identificar no laudo qual das duas foi usada — “AP supino” ou “AP semi-ereto” — já que isso muda a interpretação de achados como o tamanho do coração.1

03Raio Central, Angulação e Colimação


Posição do receptorO receptor é colocado sob ou atrás do paciente, centralizado ao raio central, com a borda superior cerca de 4 a 5 cm acima dos ombros. A centralização do paciente ao receptor é conferida olhando de cima, próximo à posição do tubo.1

AngulaçãoO raio central é angulado no sentido caudal — em geral cerca de 5° — para ficar perpendicular ao longo eixo do esterno. Essa angulação evita que as clavículas encubram os ápices pulmonares.1

Altura de centralizaçãoO raio central incide na altura de T7, de 8 a 10 cm abaixo da fúrcula esternal (incisura jugular).1

Colimação e respiraçãoO campo é colimado nos quatro lados até a área dos campos pulmonares, com a borda superior na altura da vértebra proeminente (C7). A exposição é feita ao final da segunda inspiração profunda do paciente.1

04Fatores Técnicos e Receptor


Distância e receptorA distância foco-filme mínima recomendada é de 180 cm quando o paciente está semi-ereto, sempre que a estrutura do leito ou do local permitir. O receptor de 35×43 cm pode ser usado no sentido vertical ou horizontal — o sentido transversal é preferido em pacientes grandes ou de tórax largo, para evitar corte lateral da imagem.1

Grade e kVpO uso de grade é fortemente recomendado, já que a técnica emprega kVp mais alto — geralmente entre 110 e 125 — para atravessar tecidos moles e reduzir o contraste, o que também exige mais atenção ao alinhamento do receptor para não gerar corte da imagem pela grade.1

Proteção radiológicaEstruturas radiossensíveis fora da área de interesse devem ser protegidas sempre que a proteção não encobrir a região a ser avaliada.1

05Diferenças entre AP e PA


Coração maior na APNa radiografia de tórax AP, o coração aparece maior do que realmente é. Isso acontece porque a distância foco-filme costuma ser menor do que na PA e porque o coração — mais próximo do tubo de raios X na posição AP — sofre mais magnificação por estar mais distante do receptor (maior distância objeto-receptor).1

Derrame pleural menos evidenteSem um feixe horizontal e uma posição totalmente ereta, um derrame pleural que seria visível na PA pode não aparecer com clareza na AP, já que os níveis hidroaéreos dependem da gravidade atuando com o paciente em pé.1

Inspiração mais curtaPacientes radiografados em AP costumam ter uma inspiração menos completa do que na PA — em geral, aparecem de 8 a 9 arcos costais posteriores acima do diafragma, contra os 10 esperados na PA. Como os pulmões ficam menos aerados, também podem parecer mais densos na imagem.1

Qualidade geralFeitas por aparelho portátil, fora do departamento de radiologia, as imagens em AP tendem a ter qualidade técnica inferior à de um exame PA feito em sala própria — fatores como distância, angulação e imobilização do paciente são mais difíceis de padronizar à beira do leito. Por isso, sempre que o quadro clínico permitir, prefere-se transportar o paciente para um exame PA convencional.2

06Critérios de Avaliação da Imagem


Base de comparaçãoOs critérios de qualidade para o tórax feito em supino ou semi-ereto seguem, de modo geral, os mesmos parâmetros da PA — mas com três exceções já esperadas: coração aumentado pela magnificação, derrame pleural possivelmente menos evidente, e menos arcos costais visíveis por inspiração incompleta.1

Angulação corretaUm sinal de que a angulação do raio central foi bem feita é a posição das clavículas: elas devem aparecer no mesmo plano horizontal, com os ápices pulmonares visíveis e sem obstrução.1

07Quando É Usada (Indicações e Limitações)


Pacientes não-ambulatoriaisA incidência AP é reservada para pacientes que não podem ficar em pé ou ser transportados até a sala de radiologia — internados em estado grave, na UTI, no pós-operatório imediato, ou em atendimento de urgência que exige avaliação rápida junto ao leito.2

Uma incidência sóDiferente do exame PA, que costuma vir acompanhado de uma incidência em perfil, a radiografia portátil normalmente é feita com uma única incidência AP, o que limita a avaliação de estruturas que só aparecem bem no perfil.2

AvisoEste conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação de um médico ou radiologista. A decisão entre AP, PA ou outros exames de imagem depende do quadro clínico de cada paciente.

08Perguntas Frequentes


Qual a diferença entre a incidência AP e a PA de tórax?

Na PA, o paciente fica em pé, de frente para o receptor, com o feixe de raios X entrando pelas costas. Na AP, o paciente costuma estar deitado ou semi-ereto, de frente para o tubo, com o receptor atrás dele — usada quando ele não pode ficar em pé.1

Por que o coração parece maior na radiografia AP?

Porque a distância foco-filme costuma ser menor e o coração fica mais afastado do receptor nessa posição, o que aumenta a magnificação da sua imagem.1

Quando a incidência AP é usada em vez da PA?

Quando o paciente não consegue ficar em pé ou ser transportado até a sala de radiologia — por exemplo, pacientes internados em estado grave, na UTI, no pós-operatório ou em atendimentos de urgência à beira do leito.2

Dá para ver derrame pleural em uma radiografia AP?

É mais difícil. A identificação de níveis hidroaéreos depende de uma posição totalmente ereta com feixe horizontal, o que nem sempre é possível no exame AP feito no leito.1

Qual a angulação do raio central na AP de tórax?

Em geral, cerca de 5° no sentido caudal, para ficar perpendicular ao longo eixo do esterno e evitar que as clavículas encubram os ápices pulmonares.1