Radiografia de Abdome (KUB): Preparo, Posicionamento e o Que o Exame Mostra
O KUB (rins, ureteres e bexiga) é a radiografia simples de abdome mais pedida na urgência. Veja como o exame é feito, em pé e deitado, e o que ele realmente consegue mostrar.

Crista Ilíaca
01Radiografia de Abdome KUB: O Que É o Exame
O nomeKUB é a sigla em inglês para Kidneys, Ureters, Bladder (rins, ureteres e bexiga). Assim como na radiografia de tórax, o posicionamento correto do paciente é essencial para a qualidade da imagem. Na prática, é uma radiografia simples do abdome, sem contraste, também chamada de “abdome agudo” ou “raio-x de abdome simples” quando pedida na urgência.1
KUB não é igual a “abdome”Existe uma diferença técnica importante: a incidência KUB propriamente dita cobre da sínfise púbica até a borda superior dos rins, sem necessariamente incluir o diafragma. Já a incidência de “abdome AP” inclui os dois hemidiafragmas. Na rotina, os dois termos costumam ser usados como sinônimos, mas o pedido médico pode especificar qual área é prioridade.2
02Posicionamento em Decúbito Dorsal
Posição do pacienteO paciente fica deitado de costas (decúbito dorsal), com o plano sagital mediano do corpo centralizado na mesa ou no chassi. Os braços ficam ao lado do corpo, afastados do tronco, para não sobrepor sombra na imagem.1
Pernas e apoioAs pernas ficam levemente fletidas, com um apoio sob os joelhos, o que ajuda a reduzir a curvatura lombar e a manter o paciente parado.1
Centralização do receptorO receptor é centralizado na altura da crista ilíaca, com a margem inferior incluindo a sínfise púbica. Pacientes muito altos podem precisar de duas imagens — uma mais baixa (pube) e outra mais alta (diafragma) — para cobrir todo o abdome.1
03Variante em Pé (Ortostase)
Quando é usadaA incidência em pé complementa o exame deitado quando o objetivo é procurar níveis hidroaéreos (ar e líquido se separando dentro do intestino) ou ar livre embaixo do diafragma, sinal de perfuração.3
CentralizaçãoCom o paciente em pé, o receptor é centralizado cerca de 5 cm acima da crista ilíaca, para garantir que o diafragma apareça na imagem. Se a bexiga também precisar aparecer, pode ser necessária uma segunda exposição.1
04Respiração e Imobilização
Momento da expiraçãoA respiração é suspensa ao final da expiração, para não comprimir os órgãos abdominais contra o diafragma. É comum aguardar cerca de 1 segundo depois de o paciente soltar o ar, para que o movimento involuntário do intestino cesse antes do disparo.1
ContençãoEm pacientes agitados ou com dificuldade de ficar parados, uma faixa de compressão pode ser usada sobre o abdome, com pressão moderada, apenas para ajudar na imobilização.1
05Raio Central e Colimação
Decúbito dorsalO raio central é perpendicular ao receptor, na linha média, na altura da crista ilíaca.1
Em péNa incidência em pé, o raio central é horizontal, também na altura combinada para incluir o diafragma.1
Colimação e proteçãoO campo é colimado nas bordas laterais até a pele e, em cima e embaixo, até os limites do receptor. Protetores gonadais são usados em homens — e em mulheres em idade fértil, quando isso não encobre a área de interesse — reduzindo a dose sem prejudicar o diagnóstico.1
06Critérios de Qualidade da Imagem
AlinhamentoA coluna vertebral deve aparecer no centro da imagem, com costelas, quadris e asas do ilíaco equidistantes dos dois lados. As asas ilíacas, os forames obturadores (quando visíveis) e as espinhas isquiáticas devem ter aparência simétrica dos dois lados — o alongamento de uma asa ilíaca indica rotação para aquele lado.1
Partes molesUma boa técnica de exposição mostra os contornos dos músculos psoas, os processos transversos lombares e as costelas, além das bordas inferiores do fígado e dos rins, como contornos discretos de tons de cinza.1
CoberturaDa sínfise púbica até, no mínimo, a crista ilíaca (KUB) ou até o diafragma (abdome completo), sem cortar nenhuma dessas referências. Marcadores de lado (D/E) devem estar visíveis e não sobrepostos ao conteúdo abdominal.1
07O Que o KUB Mostra (e Suas Limitações)
Usos mais comunsO KUB é usado para avaliar obstrução intestinal, distensão de alças, presença de fezes retidas (constipação), posição de sondas e cateteres, e como imagem de referência antes de outros exames com contraste.2
Cálculos renaisApesar do nome, o KUB tem sensibilidade limitada para cálculos urinários — entre 53% e 62% em estudos recentes — e frequentemente não identifica pedras pequenas ou localizadas na porção média e distal do ureter. A tomografia computadorizada sem contraste é hoje o exame de referência para esse diagnóstico.4
Dor abdominal aguda em adultosDiretrizes atuais não recomendam a radiografia simples como primeira escolha para dor abdominal aguda em adultos, já que sua especificidade é baixa e ela raramente muda a conduta médica sozinha. A tomografia oferece diagnóstico mais preciso e ajuda no planejamento cirúrgico quando necessário.4
AvisoEste conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação de um médico ou radiologista. A escolha do exame mais adequado depende do quadro clínico de cada paciente.
08Perguntas Frequentes
KUB e raio-x de abdome são a mesma coisa?
Na prática do dia a dia, sim — os termos costumam ser usados como sinônimos. Tecnicamente, o KUB cobre da sínfise púbica até a borda superior dos rins e não precisa incluir o diafragma, enquanto o “abdome AP” completo inclui os dois hemidiafragmas.2
Preciso de algum preparo para fazer o exame?
Geralmente não é necessário jejum. Alguns serviços pedem para retirar objetos metálicos, cintos e roupas com botões da região do abdome antes da exposição, para não sobrepor sombras na imagem.
O KUB substitui a tomografia para pedra nos rins?
Não. O KUB pode até mostrar cálculos maiores e mais densos, mas tem sensibilidade limitada, principalmente para pedras pequenas. Quando há suspeita clínica forte de cálculo urinário, a tomografia sem contraste é o exame mais indicado.4
Por que às vezes o exame é feito deitado e em pé no mesmo atendimento?
Porque cada posição mostra algo diferente: deitado, avalia-se o padrão geral de gases e possíveis massas; em pé, procuram-se níveis hidroaéreos e ar livre sob o diafragma, achados que ajudam a diferenciar obstrução de perfuração.3
