Radiografia de vias aéreas superiores: perfil e AP

Diferente da radiografia de tórax, o exame de vias aéreas superiores usa técnica de tecidos moles para avaliar a faringe, a laringe e a traqueia. Veja como é feito nas incidências perfil e AP.

Atualizado em por Equipe Guia do Raio-X | 6 min de leitura

Paciente posicionado para radiografia de vias aéreas superiores em perfil
Neste artigo
  1. O que é a radiografia de vias aéreas superiores?
  2. Incidência em perfil
  3. Incidência AP
  4. Técnica de tecidos moles
  5. Quais são os critérios de avaliação da imagem?
  6. Perguntas frequentes
  7. Referências

Ficha técnica: Radiografia de vias aéreas superiores

Perfil
Em pé ou sentado, perfil verdadeiro, queixo elevado e pescoço estendido. Raio central perpendicular, na altura de C6–C7 (ponto médio entre a cartilagem tireoide e a fúrcula esternal).
AP
De costas para o receptor, queixo erguido com a linha acantomeatal perpendicular ao receptor. Raio central na altura de T1–T2, cerca de 2,5 cm acima da fúrcula esternal.
Receptor
24×30 cm, com técnica de tecidos moles (kVp 75–85) e uso de grade.
Distância foco-filme
100 a 180 cm, conforme o equipamento.

Observação: kVp: 75–85 (tecidos moles).

O que é a radiografia de vias aéreas superiores?

Objetivo. Esse exame avalia estruturas como a epiglote, a laringe, a traqueia, a região da tireoide e do timo e o esôfago superior, sendo usado na investigação de obstruções, corpo estranho radiopaco (ou uso de meio de contraste) e no diagnóstico de epiglotite — uma inflamação que pode ser potencialmente fatal em crianças pequenas.1

Diferença em relação ao tórax. Ao contrário da radiografia de tórax, que usa alto kVp para atravessar estruturas densas, o exame de vias aéreas superiores usa uma técnica de tecidos moles, com kVp mais baixo, para diferenciar estruturas com densidades muito próximas, como a mucosa e a cartilagem.1

Incidência em perfil

Posicionamento. O paciente fica em pé ou sentado, em perfil verdadeiro, com o plano mediossagital paralelo ao receptor, o queixo elevado e o pescoço estendido, sem sobrepor a mandíbula à via aérea.1

Ombros. Os ombros são rotacionados posteriormente, com os braços relaxados ao lado do corpo e as mãos entrelaçadas atrás das costas — essa manobra os puxa para trás e para baixo, evitando que se sobreponham à base da traqueia.1

Respiração. A exposição é feita durante uma inspiração lenta e profunda, o que distende a via aérea e melhora a visualização.1

Raio central. O raio central é perpendicular ao receptor, incidindo na altura de C6–C7, no ponto médio entre a cartilagem tireoide (proeminência laríngea) e a fúrcula esternal.1

Incidência AP

Posicionamento. O paciente fica de costas para o receptor, com a parte posterior da cabeça e dos ombros encostada nele, o plano mediossagital alinhado ao centro do receptor e à grade, e o queixo erguido de forma que a linha acantomeatal fique perpendicular ao receptor.1

Raio central. Diferente do perfil, o raio central nessa incidência é mais baixo, na altura de T1–T2, cerca de 2,5 cm acima da fúrcula esternal (incisura jugular), garantindo que a laringe e a traqueia superior estejam incluídas.1

Complemento ao perfil. A incidência AP complementa o perfil ao mostrar a simetria da via aérea nos dois lados, o que ajuda a identificar desvios ou estreitamentos assimétricos que não aparecem claramente numa imagem lateral.1

Técnica de tecidos moles

kVp reduzido. Usa-se um kVp mais baixo do que no tórax — geralmente entre 75 e 85 — para aumentar o contraste entre os tecidos moles do pescoço, mantendo o uso de grade, como nas demais incidências deste exame.1

Colimação. O campo é colimado para incluir desde a nasofaringe até a região da traqueia superior, cobrindo toda a extensão da via aérea de interesse.1

Quais são os critérios de avaliação da imagem?

Via aérea distendida. A coluna de ar da faringe, laringe e traqueia deve aparecer bem distendida e visível, sinal de que a inspiração foi feita corretamente durante a exposição.1

Sem sobreposição. No perfil, a mandíbula e os ombros não devem se sobrepor à via aérea; na AP, os dois lados do pescoço devem estar simétricos, sem rotação, com as articulações esternoclaviculares aparecendo simétricas.1

Exposição. Técnica de tecidos moles adequada: a laringe e a traqueia preenchidas por ar não devem estar superexpostas, e a coluna cervical deve aparecer discretamente subexposta, com contraste suficiente para diferenciar as estruturas de tecido mole.1

Perguntas frequentes

Para que serve a radiografia de vias aéreas superiores?

Para avaliar a faringe, a laringe e a traqueia na investigação de obstruções, corpos estranhos, inchaço da epiglote e outras condições que afetam a respiração pela via aérea superior.1

Por que essa radiografia usa kVp mais baixo que a de tórax?

Porque a técnica de tecidos moles, com kVp entre 75 e 85, aumenta o contraste entre estruturas de densidades próximas, como a mucosa e a cartilagem, o que não seria possível com o kVp mais alto usado no tórax.1

Por que fazer a incidência AP além do perfil?

A AP mostra a simetria da via aérea entre os dois lados, ajudando a identificar desvios ou estreitamentos assimétricos que não ficam claros numa imagem apenas em perfil.1

Referências

  1. Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Textbook of Radiographic Positioning and Related Anatomy. 10ª ed. St. Louis: Elsevier; 2021. Cap. 2, Tórax, p. 101–102.

Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.

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