Radiografia de tórax PA: posicionamento, raio central e critérios de qualidade
A PA é a incidência padrão do exame de tórax, feita em pé e usada em praticamente toda avaliação de pulmões e coração. Veja o posicionamento, os fatores técnicos e como saber se a imagem ficou boa.

Este artigo faz parte do Radiografia de tórax de rotina: PA, perfil e AP portátil.
Neste artigo
Ficha técnica: Radiografia de tórax PA
- Paciente
- Em pé, de frente para o bucky, com o peso igual nos dois pés. Queixo erguido, dorso das mãos baixo nos quadris, ombros abaixados e rodados para frente até encostar no receptor.
- Receptor
- 35×43 cm na vertical (na horizontal em tórax largo), com a borda superior de 4 a 5 cm acima dos ombros relaxados.
- Raio central
- Perpendicular ao receptor, na altura de T7, de 18 a 20 cm abaixo da vértebra proeminente (C7), no nível do ângulo inferior da escápula.
- Distância foco-filme
- 180 cm no mínimo, para reduzir a ampliação do coração.

ROLLINS, J. H.; LONG, B. W.; CURTIS, T. Merrill’s Atlas of Radiographic Positioning and Procedures. 15. ed. St. Louis: Elsevier, 2023. v. 1, fig. 3.34.

ROLLINS, J. H.; LONG, B. W.; CURTIS, T. Merrill’s Atlas of Radiographic Positioning and Procedures. 15. ed. St. Louis: Elsevier, 2023. v. 1, fig. 3.40A.
Observação: kVp de 110 a 125, com grade. Exposição ao final da segunda inspiração profunda. Sem rotação: as articulações esternoclaviculares ficam à mesma distância da coluna.
O que é a radiografia de tórax PA?
O nome. PA significa posteroanterior: o feixe de raios X entra pelas costas e sai pela frente do tórax, que fica encostada no receptor.2
A incidência padrão. A PA é a incidência de tórax mais realizada e entra em praticamente toda avaliação de pulmões e coração. Na rotina, é feita junto com o perfil; as oblíquas complementam quando necessário.2 Sozinha, a PA não mostra a profundidade das lesões, por isso o exame padrão tem as duas incidências. Veja a rotina de tórax.
Por que em pé. Com o paciente em pé ou sentado, a gravidade puxa o diafragma para a posição mais baixa, os vasos pulmonares não ficam ingurgitados e os níveis de ar e líquido aparecem. Deitado, as vísceras abdominais empurram o diafragma para cima e impedem a expansão completa dos pulmões, principalmente em pacientes de tórax largo e abdome volumoso.2 Quando o paciente não consegue ficar em pé, a alternativa é a radiografia de tórax AP no leito.
Como posicionar o paciente?
Postura. O paciente fica em pé, de frente para o bucky vertical, com os braços soltos ao lado do corpo e o peso distribuído igualmente entre os dois pés.2
Receptor. Use o receptor de 35×43 cm na vertical, ou na horizontal em pacientes de tórax largo. Ajuste a altura para que a borda superior fique de 4 a 5 cm acima dos ombros relaxados.12
Centralização. Alinhe o plano mediossagital à linha média do receptor, com margens iguais dos dois lados.12
Queixo. Peça para o paciente erguer o queixo e apoiá-lo sobre a borda do receptor, com a cabeça reta e o plano mediossagital vertical. Assim o queixo não cobre os ápices pulmonares.12
Mãos e ombros. O paciente flexiona os cotovelos e apoia o dorso das mãos baixo nos quadris, abaixo do nível dos seios costofrênicos. Depois abaixa os ombros, deixando-os no mesmo plano horizontal, e os roda para frente até encostarem no receptor. Ombros abaixados levam as clavículas para baixo dos ápices; ombros rodados deslocam as escápulas para fora dos pulmões.2
Mamas. Se as mamas forem grandes a ponto de cobrir a parte de baixo dos pulmões e os seios costofrênicos, peça para a paciente levantá-las e afastá-las para os lados, mantendo-as no lugar ao se encostar no receptor. Isso é importante principalmente na pesquisa de derrame.2

À esquerda, as mamas cobrem a parte de baixo dos pulmões. À direita, com as mamas levantadas e afastadas, os seios costofrênicos aparecem (setas). Fonte: ROLLINS, J. H.; LONG, B. W.; CURTIS, T. Merrill’s Atlas of Radiographic Positioning and Procedures. 15. ed. St. Louis: Elsevier, 2023. v. 1, fig. 3.35 e 3.36.
Toque ou clique na imagem para ampliar.Onde incide o raio central?
Ponto de entrada. O raio central é perpendicular ao receptor e entra na altura de T7, no nível do ângulo inferior da escápula.2
Como achar T7. Pelas costas, T7 fica de 18 a 20 cm abaixo da vértebra proeminente (C7), o processo espinhoso que mais se destaca na base do pescoço. No paciente médio, cerca de 20 cm; em mulheres de porte médio, cerca de 18 cm.1
Por que o ponto certo importa. Centralizar em T7 permite colimar com precisão, protege o pescoço, que é sensível à radiação, e evita expor o abdome abaixo do diafragma, que geraria radiação espalhada.1
Quais são os fatores técnicos?
Distância foco-filme. Use 180 cm no mínimo. Distâncias menores ampliam o coração e reduzem a nitidez das estruturas finas do pulmão.12
kVp e grade. A faixa indicada é de 110 a 125 kVp.1 O kVp alto atravessa o mediastino, deixa ver de leve a coluna através do coração e mostra a trama vascular até a periferia do pulmão; sem grade, o kVp pode ser menor.2 Com mais de 100 kVp, a grade é necessária. Alguns sistemas digitais usam “grade virtual”, um software que dispensa a grade física.1 Siga o princípio ALARA, o kVp mais alto com o mAs mais baixo que dê boa imagem, e confira o indicador de exposição depois de cada disparo.1
Colimação. Colime nos quatro lados até os campos pulmonares: em cima, na altura da vértebra proeminente; dos lados, até a margem da pele.1 O campo tem até 43 cm no comprimento e até 35 cm na largura, com cerca de 2,5 cm além das bordas laterais do tórax. Coloque o marcador de lado dentro do campo, fora da área de interesse.2
Respiração. Faça a exposição ao final da segunda inspiração profunda. Na segunda respiração o paciente puxa mais ar do que na primeira, sem esforço.12
PA em inspiração e expiração
Quando se usa. Na suspeita de pneumotórax (ar entre o pulmão e a parede do tórax), faz-se uma exposição ao final da inspiração completa e outra ao final da expiração completa. A dupla também mostra o movimento do diafragma, corpos estranhos e áreas de pulmão sem ar (atelectasia).2
Por que a expiração ajuda. Na expiração, o pulmão fica menor e o colapso causado pelo pneumotórax se destaca. Pequenas quantidades de ar, escondidas na imagem em inspiração, ficam visíveis.2
Como diferenciar as duas. Na expiração o diafragma sobe e aparecem menos arcos costais: em geral 8, contra os 10 da inspiração.2 Identifique cada imagem com o marcador de inspiração ou expiração.
Variante: PA na maca
Quando é usada. Se o paciente não consegue ficar em pé, a PA pode ser feita com ele sentado o mais ereto possível na maca, com as pernas para fora da borda.23
Ajustes. Valem os mesmos princípios de rotação dos ombros, alinhamento do plano mediossagital e altura do raio central. Sem suporte vertical para o receptor, ele é apoiado no colo do paciente e encostado no tórax, para reduzir a distância entre o tórax e o receptor. Uma faixa de compressão ajuda a manter o paciente estável.3
Quais são os critérios de avaliação da imagem?
Uma boa PA de tórax deve mostrar:12
- Pulmões inteiros, dos ápices aos seios costofrênicos, com as bordas laterais das costelas dos dois lados.
- Sem rotação: as extremidades internas das clavículas à mesma distância da coluna, a traqueia na linha média e a mesma distância da coluna até a borda das costelas dos dois lados.
- Escápulas fora dos pulmões, sinal de que os ombros foram rodados para frente.
- Inspiração completa: 10 arcos costais posteriores acima do diafragma.
- Sem movimento: contornos nítidos do coração, do diafragma e das costelas.
- Penetração adequada: costelas e vértebras torácicas superiores levemente visíveis através da sombra do coração, e trama vascular visível do hilo até a periferia.
- Colimação e marcador: campo limitado aos pulmões e marcador de lado fora da área de interesse.

Exemplo de PA de tórax: traqueia na linha média, clavículas simétricas e pulmões inteiros, dos ápices aos seios costofrênicos. Fonte: ROLLINS, J. H.; LONG, B. W.; CURTIS, T. Merrill’s Atlas of Radiographic Positioning and Procedures. 15. ed. St. Louis: Elsevier, 2023. v. 1, cap. 3.
Toque ou clique na imagem para ampliar.Quais são os erros mais comuns?
Rotação. Uma rotação pequena já distorce bastante a sombra do coração. Ela aparece como articulações esternoclaviculares assimétricas: uma delas se projeta sobre o ápice do pulmão.2 Confira se os dois ombros encostam no receptor por igual e se o peso está nos dois pés.
Escápulas sobre os pulmões. Se os ombros não forem rodados para frente, as bordas das escápulas ficam sobre os campos pulmonares.12 Peça para o paciente “abraçar” o receptor com os ombros, mantendo o dorso das mãos nos quadris.
Inspiração incompleta. Menos de 10 arcos costais acima do diafragma indica que o paciente não inspirou fundo o bastante. Explique a respiração antes de posicionar e exponha na segunda inspiração.12
Queixo ou clavículas sobre os ápices. Queixo baixo ou ombros elevados cobrem os ápices pulmonares. Erga o queixo e peça para o paciente relaxar e abaixar os ombros.12
Bases escondidas. Em mulheres com mamas grandes, confira se as bases dos pulmões foram bem penetradas e se os seios costofrênicos aparecem.2
Proteção radiológica
Colimação é a principal proteção. Limitar o feixe aos pulmões reduz a dose, porque diminui o volume de tecido irradiado, e melhora a imagem, porque reduz a radiação espalhada.1
Protetores. O uso de protetor de chumbo segue as normas locais e o protocolo do serviço. Ele pode ser usado para tranquilizar o paciente, desde que não cubra a área a ser avaliada.12
Perguntas frequentes
Por que a radiografia de tórax é feita em PA e não em AP?
Na PA o coração fica perto do receptor e sai quase do tamanho real. Em pé, o diafragma desce, os pulmões se expandem por completo e os níveis de ar e líquido aparecem. A AP fica para quem não consegue ficar em pé.2
Onde incide o raio central na radiografia PA de tórax?
Na altura de T7, perpendicular ao receptor. T7 fica de 18 a 20 cm abaixo da vértebra proeminente (C7), no nível do ângulo inferior da escápula.12
Qual a distância foco-filme da radiografia PA de tórax?
180 cm no mínimo. Distâncias menores ampliam o coração e reduzem a nitidez das estruturas finas do pulmão.12
Qual kVp usar na radiografia de tórax PA?
De 110 a 125 kVp, com grade. O kVp alto atravessa o mediastino e mostra a trama vascular até a periferia dos pulmões; sem grade, o kVp pode ser menor.12
Quantos arcos costais devem aparecer numa boa radiografia PA?
Dez arcos costais posteriores acima do diafragma, sinal de inspiração completa. Em expiração aparece pelo menos um arco a menos.2
Por que o paciente coloca as mãos nos quadris e roda os ombros?
Para tirar as escápulas de cima dos pulmões. Com o dorso das mãos nos quadris e os ombros rodados para frente, encostados no receptor, as escápulas se deslocam para fora dos campos pulmonares.12
Quando fazer a PA em expiração?
Na suspeita de pneumotórax ou de corpo estranho, faz-se uma exposição em inspiração e outra em expiração. O pneumotórax aparece melhor na expiração, porque o colapso do pulmão fica mais evidente.2
Referências
- Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Handbook of Radiographic Positioning and Techniques. 11ª ed. St. Louis: Elsevier; 2025. Cap. 1, Tórax, p. 2–4 e 7.
- Rollins JH, Long BW, Curtis T. Merrill’s Atlas of Radiographic Positioning and Procedures. 15ª ed. St. Louis: Elsevier; 2023. v. 1, Cap. 3, Tórax (Thoracic Viscera), projeção PA.
- Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Textbook of Radiographic Positioning and Related Anatomy. 10ª ed. St. Louis: Elsevier; 2021. Cap. 2, Tórax, p. 90–91.
Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.