Raio-X na gravidez: é seguro? O que diz a ciência
Entenda quanto de radiação realmente chega ao bebê, por que a maioria dos exames de raio-x é considerada segura na gravidez, e quando vale a pena conversar com o médico.

Neste artigo
O que dizem as diretrizes de segurança
Exames de imagem são geralmente seguros na gravidez. Quando o médico considera o exame necessário para decidir a conduta do tratamento, é aceitável realizá-lo. A saúde da gestante também é importante para a saúde do bebê.1
Nem todo exame usa radiação. Ultrassom e ressonância magnética usam formas de radiação “não ionizante”, bem diferentes do raio-x, e não têm casos conhecidos de dano ao bebê. Já radiografia, tomografia e fluoroscopia usam radiação “ionizante” — que pode ser prejudicial em quantidades altas, mas essas quantidades raramente são atingidas em exames diagnósticos.1
Avisar o médico faz diferença. Saber que a paciente está grávida ajuda o médico a escolher o exame mais adequado e a manter a exposição à radiação a mais baixa possível, mantendo a qualidade diagnóstica necessária.1
Quanto de radiação chega ao bebê
Dose estimada por exame. A tabela abaixo mostra estimativas de dose absorvida pelo bebê em exames comuns, em miligray (mGy):2
| Exame | Dose média | Dose máxima |
|---|---|---|
| Raio-X de tórax | < 0,01 mGy | < 0,01 mGy |
| Raio-X de abdome | 1,4 mGy | 4,2 mGy |
| Raio-X de pelve | 1,1 mGy | 4 mGy |
| Tomografia de tórax | 0,06 mGy | 0,96 mGy |
| Tomografia de abdome | 8,0 mGy | 49 mGy |
| Tomografia de pelve | 25 mGy | 79 mGy |
Por que isso importa. Um raio-x de tórax praticamente não expõe o bebê, porque o feixe não passa perto do abdome. Mesmo os exames que envolvem a pelve, como um raio-x de abdome, ficam bem abaixo dos níveis associados a qualquer risco mensurável — como você verá na próxima seção.2
Fiz um raio-X antes de saber que estava grávida
A “regra dos 10 dias” já foi superada. Por décadas, recomendava-se fazer raio-x de abdome e pelve só nos 10 dias após a menstruação, para evitar qualquer chance de atingir uma gravidez inicial. Hoje se sabe que são necessárias doses bem mais altas (cerca de 100 mGy) — muito acima do que exames diagnósticos de rotina produzem — para causar qualquer malformação.2
Na prática, o risco costuma ser mínimo ou nulo. Se um exame foi feito antes de a gravidez ser percebida, a orientação é conversar com o médico, que pode estimar a dose recebida pelo bebê. Na grande maioria dos casos, há pouco ou nenhum risco. A exceção seriam múltiplas tomografias de abdome ou pelve na mesma gestação, situação em que vale uma avaliação mais detalhada com um físico médico.2
Quando a preocupação é real
Os efeitos preocupantes exigem doses bem mais altas. Efeitos mensuráveis no desenvolvimento do bebê só começam a ser considerados a partir de cerca de 100 mGy, e danos significativos exigiriam mais de 500 mGy. Como mostra a tabela acima, mesmo os exames mais expostos — como tomografia de pelve — ficam bem abaixo desses limites em situações de rotina.2
Infertilidade não é uma preocupação real. A dose necessária para causar infertilidade (a partir de 650 mGy nas mulheres) é muitas vezes maior do que qualquer exame diagnóstico isolado chega a produzir.2
A decisão final é sempre do médico. Cada gestação e cada quadro clínico são diferentes. Se um exame com radiação for necessário, o obstetra e o radiologista avaliam juntos o benefício diagnóstico e a forma mais segura de realizá-lo. Veja também as diferenças entre raio-x, tomografia e ressonância para entender as alternativas disponíveis.1
Perguntas frequentes
Posso fazer um raio-x de tórax estando grávida?
Sim. A dose que chega ao bebê é praticamente nula (menos de 0,01 mGy), porque o feixe não passa perto do abdome.2
E se eu já fiz um raio-x antes de saber que estava grávida?
Na grande maioria dos casos não há motivo de preocupação, especialmente se o exame não envolveu abdome ou pelve. Vale conversar com o médico, que pode estimar a dose recebida caso necessário.2
Ultrassom e ressonância são sempre mais seguros que o raio-x?
Os dois não usam radiação ionizante e por isso são preferidos quando conseguem responder à mesma dúvida clínica. Mas nem sempre substituem o raio-x ou a tomografia com a mesma qualidade diagnóstica — a escolha depende do que está sendo investigado.
Referências
- Radiological Society of North America (RSNA), American College of Radiology (ACR), American Society of Radiologic Technologists (ASRT). Can medical imaging hurt a fetus? RadiologyInfo.org. Revisado em 15 de junho de 2026.
- Health Physics Society (HPS). Radiology and the Pregnant Patient: Frequently Asked Questions. Adaptado da International Atomic Energy Agency (IAEA), “Pregnancy and Radiation Protection in Diagnostic Radiology”.
Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.