Radiografia de pelve AP (bacia): posicionamento, raio central e critérios
A AP de pelve mostra a bacia inteira e a parte de cima dos fêmures. O cuidado principal é girar os pés para dentro, exceto na suspeita de fratura de quadril. Veja o passo a passo.
Neste artigo
Ficha técnica: Radiografia de pelve AP (bacia)
- Paciente
- Deitado ou em pé, pernas estendidas, pés e pernas girados 15° a 20° para dentro por igual. Sem rotação da pelve (EIAS à mesma distância da mesa).
- Receptor
- 35×43 cm na horizontal, com grade, incluindo a pelve inteira.
- Raio central
- Perpendicular, no ponto médio entre as EIAS e a sínfise púbica, cerca de 5 cm abaixo do nível das EIAS.
- Distância foco-filme
- 100 cm.
Observação: kVp de 80 a 90, com mAs baixo. Respiração suspensa. Na suspeita de fratura ou luxação do quadril, não gire as pernas.
O que é a radiografia de pelve AP?
A incidência. A AP de pelve, também chamada de radiografia de bacia, é feita com o feixe entrando pela frente e o receptor atrás do paciente. Inclui a cintura pélvica, o sacro, o cóccix e a parte de cima dos dois fêmures.1
O que mostra. A cintura pélvica, L5, o sacro, o cóccix e os fêmures proximais. Se o paciente tiver prótese ou outro material ortopédico, ele deve aparecer inteiro.1
Como posicionar o paciente?
Paciente. Deitado ou em pé, com a pelve centralizada no receptor e as pernas estendidas. Um apoio sob os joelhos deixa o paciente mais confortável.1
Rotação interna. Gire os pés, os joelhos e as pernas 15° a 20° para dentro, por igual dos dois lados. Se precisar, prenda com fita.1
Sem rotação da pelve. Confira se as duas espinhas ilíacas anterossuperiores (EIAS) estão à mesma distância da mesa.1
Trauma. Na suspeita de fratura ou luxação do quadril, não gire as pernas para dentro. Faça o exame movendo o mínimo possível a perna afetada.1
Onde incide o raio central?
Ponto de entrada. O raio central é perpendicular ao receptor e entra no ponto médio entre as EIAS e a sínfise púbica, cerca de 5 cm abaixo do nível das EIAS. Centralize o receptor no raio, incluindo a pelve inteira.1
Quais são os fatores técnicos?
Distância e grade. Distância foco-filme de 100 cm, com grade e receptor de 35×43 cm na horizontal.1
kVp. Em adultos, pode-se usar kVp mais alto (80 a 90) com mAs mais baixo, para reduzir a dose total.1
Colimação e respiração. Colime nos quatro lados até a área de interesse, incluindo as margens de tecido mole. Peça para o paciente prender a respiração durante a exposição.1
Proteção. Os tecidos próximos da pelve são sensíveis à radiação. O uso de protetores segue as normas locais e o protocolo do serviço, e eles não podem cobrir a área que precisa ser avaliada.1
Quais são os critérios de avaliação da imagem?
Uma boa AP de pelve deve mostrar:1
- Estruturas incluídas: cintura pélvica, L5, sacro, cóccix e fêmures proximais, com qualquer material ortopédico inteiro.
- Rotação das pernas correta: os trocânteres menores geralmente não aparecem (sem trauma).
- Sem rotação da pelve: ílios e forames obturados simétricos.
- Exposição adequada: L5, sacro e as margens das cabeças femorais e dos acetábulos visíveis, sem movimento.
- Nitidez: tecidos moles e trabeculado ósseo bem definidos.
Perguntas frequentes
Por que girar os pés para dentro na radiografia de bacia?
Com as pernas giradas 15° a 20° para dentro, o colo do fêmur fica paralelo ao receptor e aparece no comprimento real. Por isso, na AP sem trauma, os trocânteres menores geralmente não aparecem.1
Onde incide o raio central na AP de pelve?
No ponto médio entre as espinhas ilíacas anterossuperiores (EIAS) e a sínfise púbica, cerca de 5 cm abaixo do nível das EIAS.1
Pode girar as pernas se houver suspeita de fratura de quadril?
Não. Com suspeita de fratura ou luxação, faça o exame movendo o mínimo possível a perna afetada.1
Referências
- Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Handbook of Radiographic Positioning and Techniques. 11ª ed. St. Louis: Elsevier; 2025. Cap. 5, Fêmur e pelve, p. 161, 175–176.
Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.