Radiografia transoral (boca aberta) de C1–C2: posicionamento e critérios
A AP com a boca aberta mostra o atlas, o áxis e o dente do áxis, que ficam escondidos atrás da mandíbula e dos dentes nas outras incidências. Veja o posicionamento e como conferir a imagem.
Neste artigo
Ficha técnica: Radiografia transoral (boca aberta) de C1–C2
- Paciente
- Deitado ou em pé, centralizado. Com a boca aberta, a linha da borda dos incisivos superiores à base do crânio (pontas das mastoides) perpendicular ao receptor.
- Receptor
- 18×24 cm na vertical, com grade.
- Raio central
- Perpendicular ao receptor, pelo centro da boca aberta (C1–C2).
- Distância foco-filme
- 100 cm.
Observação: kVp de 70 a 85. Controle automático de exposição não recomendado (campo pequeno). No trauma, não tire o colar nem mova a cabeça sem liberação médica.
O que é a radiografia transoral?
A incidência. A radiografia transoral, ou AP com a boca aberta, é a incidência de rotina para C1 e C2 (atlas e áxis). Com a boca bem aberta, essas vértebras aparecem pela abertura, sem os dentes e a mandíbula na frente.1
O que mostra. O dente do áxis (processo odontoide), o corpo de C2, as massas laterais e os processos transversos de C1 e as articulações entre C1 e C2.1
Trauma. No paciente com trauma, não retire o colar cervical nem mova a cabeça ou o pescoço até um médico avaliar o perfil com feixe horizontal ou a tomografia da coluna cervical.1
Como posicionar o paciente?
Paciente. Deitado de costas ou em pé, centralizado no raio central e na linha média.1
Alinhamento da cabeça. Ajuste a cabeça para que, com a boca aberta, a linha que vai da borda de baixo dos incisivos superiores até a base do crânio (as pontas das mastoides) fique perpendicular à mesa ou ao receptor. Se não for possível, angule o raio central para acompanhar essa linha.1
Abrir a boca por último. Como último passo, peça para o paciente abrir bem a boca sem mover a cabeça. Confira o alinhamento mais uma vez antes de expor.1
Onde incide o raio central?
Ponto de entrada. O raio central é perpendicular ao receptor e passa pelo centro da boca aberta, na altura de C1 e C2. Centralize o receptor no raio.1
Quais são os fatores técnicos?
Distância e grade. Distância foco-filme de 100 cm, com grade e receptor de 18×24 cm na vertical.1
kVp e exposição. kVp de 70 a 85. O controle automático de exposição não é recomendado, porque o campo é pequeno.1
Colimação e respiração. Colime bem nos quatro lados, só na região de C1 e C2. Peça para o paciente prender a respiração durante a exposição.1
Quais são os critérios de avaliação da imagem?
Uma boa transoral deve mostrar:1
- Estruturas incluídas: dente do áxis, corpo de C2, massas laterais e processos transversos de C1 e articulações entre C1 e C2.
- Alinhamento correto: os incisivos superiores e a base do crânio sobrepostos, com o dente do áxis inteiro visível.
- Nitidez: margens ósseas e trabeculado definidos, com o contorno do dente do áxis nítido e sem movimento.
Se a imagem não ficou boa. Se os incisivos cobrem o dente do áxis, a cabeça estava muito fletida; se a base do crânio cobre, estava muito estendida. Corrija a posição da cabeça ou a angulação do raio central e repita.
Perguntas frequentes
Para que serve a radiografia transoral?
Para mostrar C1 (atlas) e C2 (áxis), incluindo o dente do áxis e as articulações entre as duas vértebras. Com a boca aberta, essa região aparece pela abertura, sem os dentes e a mandíbula na frente.1
Como alinhar a cabeça na radiografia de boca aberta?
Com a boca aberta, a linha que vai da borda de baixo dos incisivos superiores até a base do crânio (pontas das mastoides) fica perpendicular ao receptor. Se não der para ajustar a cabeça, angule o raio central.1
Quando o paciente deve abrir a boca?
Como último passo antes da exposição, sem mexer a cabeça. Depois, confira o alinhamento mais uma vez.1
Posso fazer a transoral em paciente com trauma?
Só depois de liberação médica. No trauma, o colar cervical não deve ser retirado e a cabeça não deve ser movida até um médico avaliar o perfil com feixe horizontal ou a tomografia.1
Referências
- Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Handbook of Radiographic Positioning and Techniques. 11ª ed. St. Louis: Elsevier; 2025. Cap. 6, Coluna vertebral, p. 188–189 e 191.
Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.