Radiografia transoral (boca aberta) de C1–C2: posicionamento e critérios

A AP com a boca aberta mostra o atlas, o áxis e o dente do áxis, que ficam escondidos atrás da mandíbula e dos dentes nas outras incidências. Veja o posicionamento e como conferir a imagem.

Publicado em por Equipe Guia do Raio-X | 5 min de leitura

Neste artigo
  1. O que é a radiografia transoral?
  2. Como posicionar o paciente?
  3. Onde incide o raio central?
  4. Quais são os fatores técnicos?
  5. Quais são os critérios de avaliação da imagem?
  6. Perguntas frequentes
  7. Referências

Ficha técnica: Radiografia transoral (boca aberta) de C1–C2

Paciente
Deitado ou em pé, centralizado. Com a boca aberta, a linha da borda dos incisivos superiores à base do crânio (pontas das mastoides) perpendicular ao receptor.
Receptor
18×24 cm na vertical, com grade.
Raio central
Perpendicular ao receptor, pelo centro da boca aberta (C1–C2).

Observação: kVp de 70 a 85. Controle automático de exposição não recomendado (campo pequeno). No trauma, não tire o colar nem mova a cabeça sem liberação médica.

O que é a radiografia transoral?

A incidência. A radiografia transoral, ou AP com a boca aberta, é a incidência de rotina para C1 e C2 (atlas e áxis). Com a boca bem aberta, essas vértebras aparecem pela abertura, sem os dentes e a mandíbula na frente.1

O que mostra. O dente do áxis (processo odontoide), o corpo de C2, as massas laterais e os processos transversos de C1 e as articulações entre C1 e C2.1

Trauma. No paciente com trauma, não retire o colar cervical nem mova a cabeça ou o pescoço até um médico avaliar o perfil com feixe horizontal ou a tomografia da coluna cervical.1

Como posicionar o paciente?

Paciente. Deitado de costas ou em pé, centralizado no raio central e na linha média.1

Alinhamento da cabeça. Ajuste a cabeça para que, com a boca aberta, a linha que vai da borda de baixo dos incisivos superiores até a base do crânio (as pontas das mastoides) fique perpendicular à mesa ou ao receptor. Se não for possível, angule o raio central para acompanhar essa linha.1

Abrir a boca por último. Como último passo, peça para o paciente abrir bem a boca sem mover a cabeça. Confira o alinhamento mais uma vez antes de expor.1

Onde incide o raio central?

Ponto de entrada. O raio central é perpendicular ao receptor e passa pelo centro da boca aberta, na altura de C1 e C2. Centralize o receptor no raio.1

Quais são os fatores técnicos?

Distância e grade. Distância foco-filme de 100 cm, com grade e receptor de 18×24 cm na vertical.1

kVp e exposição. kVp de 70 a 85. O controle automático de exposição não é recomendado, porque o campo é pequeno.1

Colimação e respiração. Colime bem nos quatro lados, só na região de C1 e C2. Peça para o paciente prender a respiração durante a exposição.1

Quais são os critérios de avaliação da imagem?

Uma boa transoral deve mostrar:1

  • Estruturas incluídas: dente do áxis, corpo de C2, massas laterais e processos transversos de C1 e articulações entre C1 e C2.
  • Alinhamento correto: os incisivos superiores e a base do crânio sobrepostos, com o dente do áxis inteiro visível.
  • Nitidez: margens ósseas e trabeculado definidos, com o contorno do dente do áxis nítido e sem movimento.

Se a imagem não ficou boa. Se os incisivos cobrem o dente do áxis, a cabeça estava muito fletida; se a base do crânio cobre, estava muito estendida. Corrija a posição da cabeça ou a angulação do raio central e repita.

Perguntas frequentes

Para que serve a radiografia transoral?

Para mostrar C1 (atlas) e C2 (áxis), incluindo o dente do áxis e as articulações entre as duas vértebras. Com a boca aberta, essa região aparece pela abertura, sem os dentes e a mandíbula na frente.1

Como alinhar a cabeça na radiografia de boca aberta?

Com a boca aberta, a linha que vai da borda de baixo dos incisivos superiores até a base do crânio (pontas das mastoides) fica perpendicular ao receptor. Se não der para ajustar a cabeça, angule o raio central.1

Quando o paciente deve abrir a boca?

Como último passo antes da exposição, sem mexer a cabeça. Depois, confira o alinhamento mais uma vez.1

Posso fazer a transoral em paciente com trauma?

Só depois de liberação médica. No trauma, o colar cervical não deve ser retirado e a cabeça não deve ser movida até um médico avaliar o perfil com feixe horizontal ou a tomografia.1

Referências

  1. Lampignano JP, Kendrick LE. Bontrager’s Handbook of Radiographic Positioning and Techniques. 11ª ed. St. Louis: Elsevier; 2025. Cap. 6, Coluna vertebral, p. 188–189 e 191.

Aviso: conteúdo educativo, baseado na literatura citada. Protocolos podem variar entre serviços; siga sempre a orientação do médico ou radiologista responsável.

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