Resumo rápido
PacienteDeitado (decúbito dorsal), plano sagital mediano centralizado na mesa, braços afastados do tronco, pernas levemente fletidas com apoio sob os joelhos.
Raio CentralPerpendicular ao receptor, na linha média, na altura da crista ilíaca.
Distância Foco-Filme100 cm no mínimo.
Receptor35×43 cm, centralizado na crista ilíaca, com a margem inferior incluindo a sínfise púbica.
Paciente posicionado para radiografia de abdome (KUB)
Distância Foco-Filme
100 cm mín.
Receptor
35×43 cm
kVp
70–85
Raio Central
Perpendicular
Crista Ilíaca

01Radiografia de Abdome KUB: O Que É o Exame


O nomeKUB é a sigla em inglês para Kidneys, Ureters, Bladder (rins, ureteres e bexiga). Assim como na radiografia de tórax, o posicionamento correto do paciente é essencial para a qualidade da imagem. Na prática, é uma radiografia simples do abdome, sem contraste, também chamada de “abdome agudo” ou “raio-x de abdome simples” quando pedida na urgência.1

KUB não é igual a “abdome”Existe uma diferença técnica importante: a incidência KUB propriamente dita cobre da sínfise púbica até a borda superior dos rins, sem necessariamente incluir o diafragma. Já a incidência de “abdome AP” inclui os dois hemidiafragmas. Na rotina, os dois termos costumam ser usados como sinônimos, mas o pedido médico pode especificar qual área é prioridade.2

02Posicionamento em Decúbito Dorsal


Posição do pacienteO paciente fica deitado de costas (decúbito dorsal), com o plano sagital mediano do corpo centralizado na mesa ou no chassi. Os braços ficam ao lado do corpo, afastados do tronco, para não sobrepor sombra na imagem.1

Pernas e apoioAs pernas ficam levemente fletidas, com um apoio sob os joelhos, o que ajuda a reduzir a curvatura lombar e a manter o paciente parado.1

Centralização do receptorO receptor é centralizado na altura da crista ilíaca, com a margem inferior incluindo a sínfise púbica. Pacientes muito altos podem precisar de duas imagens — uma mais baixa (pube) e outra mais alta (diafragma) — para cobrir todo o abdome.1

03Variante em Pé (Ortostase)


Quando é usadaA incidência em pé complementa o exame deitado quando o objetivo é procurar níveis hidroaéreos (ar e líquido se separando dentro do intestino) ou ar livre embaixo do diafragma, sinal de perfuração.3

CentralizaçãoCom o paciente em pé, o receptor é centralizado cerca de 5 cm acima da crista ilíaca, para garantir que o diafragma apareça na imagem. Se a bexiga também precisar aparecer, pode ser necessária uma segunda exposição.1

04Respiração e Imobilização


Momento da expiraçãoA respiração é suspensa ao final da expiração, para não comprimir os órgãos abdominais contra o diafragma. É comum aguardar cerca de 1 segundo depois de o paciente soltar o ar, para que o movimento involuntário do intestino cesse antes do disparo.1

ContençãoEm pacientes agitados ou com dificuldade de ficar parados, uma faixa de compressão pode ser usada sobre o abdome, com pressão moderada, apenas para ajudar na imobilização.1

05Raio Central e Colimação


Decúbito dorsalO raio central é perpendicular ao receptor, na linha média, na altura da crista ilíaca.1

Em péNa incidência em pé, o raio central é horizontal, também na altura combinada para incluir o diafragma.1

Colimação e proteçãoO campo é colimado nas bordas laterais até a pele e, em cima e embaixo, até os limites do receptor. Protetores gonadais são usados em homens — e em mulheres em idade fértil, quando isso não encobre a área de interesse — reduzindo a dose sem prejudicar o diagnóstico.1

06Critérios de Qualidade da Imagem


AlinhamentoA coluna vertebral deve aparecer no centro da imagem, com costelas, quadris e asas do ilíaco equidistantes dos dois lados. As asas ilíacas, os forames obturadores (quando visíveis) e as espinhas isquiáticas devem ter aparência simétrica dos dois lados — o alongamento de uma asa ilíaca indica rotação para aquele lado.1

Partes molesUma boa técnica de exposição mostra os contornos dos músculos psoas, os processos transversos lombares e as costelas, além das bordas inferiores do fígado e dos rins, como contornos discretos de tons de cinza.1

CoberturaDa sínfise púbica até, no mínimo, a crista ilíaca (KUB) ou até o diafragma (abdome completo), sem cortar nenhuma dessas referências. Marcadores de lado (D/E) devem estar visíveis e não sobrepostos ao conteúdo abdominal.1

07O Que o KUB Mostra (e Suas Limitações)


Usos mais comunsO KUB é usado para avaliar obstrução intestinal, distensão de alças, presença de fezes retidas (constipação), posição de sondas e cateteres, e como imagem de referência antes de outros exames com contraste.2

Cálculos renaisApesar do nome, o KUB tem sensibilidade limitada para cálculos urinários — entre 53% e 62% em estudos recentes — e frequentemente não identifica pedras pequenas ou localizadas na porção média e distal do ureter. A tomografia computadorizada sem contraste é hoje o exame de referência para esse diagnóstico.4

Dor abdominal aguda em adultosDiretrizes atuais não recomendam a radiografia simples como primeira escolha para dor abdominal aguda em adultos, já que sua especificidade é baixa e ela raramente muda a conduta médica sozinha. A tomografia oferece diagnóstico mais preciso e ajuda no planejamento cirúrgico quando necessário.4

AvisoEste conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação de um médico ou radiologista. A escolha do exame mais adequado depende do quadro clínico de cada paciente.

08Perguntas Frequentes


KUB e raio-x de abdome são a mesma coisa?

Na prática do dia a dia, sim — os termos costumam ser usados como sinônimos. Tecnicamente, o KUB cobre da sínfise púbica até a borda superior dos rins e não precisa incluir o diafragma, enquanto o “abdome AP” completo inclui os dois hemidiafragmas.2

Preciso de algum preparo para fazer o exame?

Geralmente não é necessário jejum. Alguns serviços pedem para retirar objetos metálicos, cintos e roupas com botões da região do abdome antes da exposição, para não sobrepor sombras na imagem.

O KUB substitui a tomografia para pedra nos rins?

Não. O KUB pode até mostrar cálculos maiores e mais densos, mas tem sensibilidade limitada, principalmente para pedras pequenas. Quando há suspeita clínica forte de cálculo urinário, a tomografia sem contraste é o exame mais indicado.4

Por que às vezes o exame é feito deitado e em pé no mesmo atendimento?

Porque cada posição mostra algo diferente: deitado, avalia-se o padrão geral de gases e possíveis massas; em pé, procuram-se níveis hidroaéreos e ar livre sob o diafragma, achados que ajudam a diferenciar obstrução de perfuração.3